SÃO LUÍS DO MARANHÃO
Por nomes como I-Juca Pirama (Gonçalves Dias), Sousândrade e outros notáveis intelectuais, São Luís é conhecida como Atenas brasileira.
Recentemente, as radiolas de reggae foram espalhando seus paredões de caixas acústicas pela cidade nos rendendo outro título, o de Jamaica brasileira. Aqui é o único lugar do planeta onde se dança o reggae coladinho. Até na Jamaica é dançado solto, sem formar casais. Por nosso acervo arquitetônico agora somos também Patrimônio Cultural da Humanidade.
Devo advertir que o Maranhão não se resume aos Lençóis Maranhenses, de fato inefáveis. Mas estamos falando de São Luís: casarões, sacadas, lendas, comidas típicas, folclore, bumba-meu-boi... Ah, o Bumba Boi ! Que manifestação cultural !
São vários os sotaques (osquestra, fanfarra, zabumba, da baixada, matracas e pandeirões), mas o típico da ilha é o de matraca. E eu recomendo assistir à apresentação do Bumba Boi da Maioba, grupo composto por cerca de 3.000 brincantes (dentre os quais, eu), o que lhe confere a alcunha de batalhão. Interessante que antes das apresentações, quando todos estão se organizando, dizemos que o Boi está guarnecendo, o que lembra uma tropa se preparando para o combate.
A melhor época para conhecer São Luís é a dos festejos juninos que têm início na segunda quinzena de junho e adentra julho no seu período extra-oficial. É tão bom, que temos um São João fora de época.
Vários tentaram descrever essa cidade em prosa e verso, dentre os quais destaco Carlos Fernando em sua “Terra à Vista” , celebrizada na voz de Geraldo Azevedo. No entanto, considero identificar melhor esta terra a música de um artista local (César Nascimento) chamada “Ilha Magnética”:
“Ah, que horizonte belo de se refletir
Outro dia me disseram que o amor nasceu aqui.
Saiu detrás do Sol com um jeito de guri,
Tanto novo quanto leve o amor nasceu aqui.
Ponta D’Areia, Olho D’Água e Araçagy,
Mesmo estando na Raposa, eu sempre vou ouvir
A natureza me falando que o amor nasceu aqui.
Ah, que ilha inexata quando toca o coração
Eu te toco tu me tocas cá nas cordas do violão.
E se um dia eu for embora pra bem longe desse chão
Eu jamais te esquecerei São Luís do Maranhão”.
É impossível um ludovicense escutá-la sem emoção. Gonçalves Dias, no século XIX, tinha sentimento parecido e o traduziu na “Canção do Exílio”:
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores.
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida, mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o sabiá Certamente, quem conhece a Terra das Palmeiras jamais a esquece. Afinal, há um outro adjetivo pelo qual São Luís é conhecida, Ilha do Amor. Não percam a oportunidade de um dia conhecê-la e se apaixonar por seus encantos. Saudações de um ludovicense bairrista e apaixonado. Conheçam um pouco mais em: http://www2.uol.com.br/mochilabrasil/saoluis.shtm http://www.cidadeshistoricas.art.br/saoluis/index.html
ALTO DO BUMBA BOI
Em linhas gerais, a história se passa numa fazenda e os personagens são: o Vaqueiro Nêgo Chico (ou Pai Francisco); sua esposa Catirina e o Amo, dono da fazenda e do boi. No Maranhão há personagens secundários como Índias, Vaqueiros, o Pajé, o Cazumbá, a Burrinha e outros.
Reza a lenda que Catirina estava grávida e desejou comer língua de boi. Só que deveria ser do novilho mais estimado da fazenda. Isso levou Nêgo Chico a furtar o boi e matá-lo pra retirar sua língua.
O Amo, ao perceber a falta do boi, cobra explicações e descobre o ocorrido, no que põe índios e vaqueiros no encalço de Nego Chico. Capturado, apanha para dar conta do boi e confessa tê-lo matado.
O Pajé é chamado para ressuscitar o boi. O encanto surte efeito e o boi emite um urro que deixa todos atônitos. Em júbilo com a ressurreição de seu melhor novilho, o Amo perdoa Nêgo Chico e promove uma grande festa onde todos dançam e brincam ao redor do boi.
O Bumba Boi é um folguedo encantador, onde está presente o ideário popular representando a opressão do branco colonizador (Amo – fazendeiro dono do boi), suas relações de dominação com Índios e Sertanejos, assim como crendices populares, fruto da miscigenação étnica.
Venham ao Maranhão no período de junho a julho e se encantem.
Outras informações:
EU NÃO SOU DAQUI
Enquanto a terra tupiniquim assiste atônita às cáusticas revelações dos bastidores de nossa política, os colonizadores sucumbem às revanches por males outrora cometidos.
O fervor da mídia por barbárie – notícias assim vendem mais – foi contemplado por acontecimentos marcantes do gênero. O noticiário oscilou entre as baixarias dos parlamentares decorrentes do depoimento da secretária de Marcos Valério (Fernanda Somaggio) e o mapa das explosões em Londres. Mas de qual barbárie estamos falando: o escândalo originado com a crise nos Correios ou os atentados terroristas em represália ao imperialismo de países ricos ?
É certo que vivemos num país com suas mazelas: inflação, desemprego, corrupção nos altos escalões do poder, enfim, somos atrasados. Segundo à Geopolítica, estamos em vias de desenvolvimento, um desenvolvimento que parece estar ainda bem distante. Por outro lado, a Inglaterra – membro do G8, país que deu início ao capitalismo monopolista e financeiro, assim como ao neocolonialismo – um país desenvolvido, sucumbiu às explosões do ódio terrorista.
Encaro tais fatos ocorridos em Londres como uma revanche. Os colonizadores que causaram males silenciosos ao antigo Terceiro Mundo, hoje estão acometidos pelo medo. A Al-Qaeda cumpriu a promessa e, assim como no 11 de setembro, demonstrou inteligência em burlar a segurança e instaurar o caos no seio da metrópole. Não escondo meu sentimento que oscila entre satisfação e tristeza. Enfim os colonizadores estão pagando o preço de sua dominação, no entanto, foram os governantes e empresários desses países quem instauraram políticas imperialistas e não as vítimas inocentes da represália terrorista. A essas últimas dedico minha tristeza.
Aqui como lá os políticos conduzem as rédeas da nação. Pressupõe-se que devam ser pessoas idôneas e íntegras para tomar as decisões que afetarão toda a população. Há tempos sabemos que em nosso caso as decisões tomadas não são as mais acertadas, e nem quem as toma. O atentado em Londres demonstrou que antigas decisões também deveriam não ter sido tomadas.
Por fim, a dúvida: A suposta depuração política em voga deve nos conduzir ao Primeiro Mundo ? Lá não há Valérios e Jeffersons ? E o pior, para acrescermos mais um número ao G8 teremos que, necessariamente, oprimir países mais fracos que poderão um dia buscar revanche ? Se o preço for esse é melhor não chegar ao “Primeiro Mundo”, mas também não podemos ficar onde estamos, até quando continuaremos em vias de desenvolvimento ? De qual desenvolvimento estamos falando ?
Dói mais saber que boa parte dos brasileiros estão assistindo o noticiário, unicamente na esperança de que a “América” chegue logo, não lembrando eles que esse foi justamente o primeiro alvo do terrorismo deste século. Enquanto uns sonham em fazer a América outros se contentam em assisti-la. Pobres de nós que não conseguimos ao menos fazer o Brasil !
Deus, quantas dúvidas! Mais tumultuei que ajudei na calmaria. Isso não é nada diante da confissão que me imponho: Eu não sou daqui !
Mas se também não sou de lá, DE ONDE SOU ?
NEW WAVE OF BRITISH HEAVY METAL

O início da década de 70 na Inglaterra foi marcado por uma grande recessão decorrente de uma crise econômica que assolou o país, ocasionando demissões em massa. Centenas de jovens sofriam com a fome e a falta de perspectiva de emprego.
Isso os fez assumir uma atitude de protesto diante das vicissitudes do sistema capitalista. Com roupas rasgadas (em oposição ao consumismo), cabelo colorido no estilo moicano e jaquetas arrebitadas, eles chocavam a conservadora sociedade inglesa. Os adeptos dessa atitude receberam a alcunha de “punks” (miseráveis), o que antes Shakespeare associava a prostituta. Os jornalistas os definiam como “os miseráveis contra a industrialização burguesa”.
O Movimento Punk arrima-se no Anarquismo, não como forma de desordem, e sim como ideologia que defende a supressão do autoritarismo opressor do Estado. Não tardou a surgir bandas tais como Sex Pistols, The Clash, Dead Kennedys, Exploited dentre outras, para corroborar o movimento.
Nesse período, o Heavy Metal perde o enfoque e bandas que lhe servem de influência como Black Sabbath e Deep Purple e as propriamente do gênero como o Judas Priest limitam-se aos fãs. Todavia, surge uma banda que tenta resgatar esse outro movimento e em 1978 é destaque no Sounds (jornal especializado em música), juntamente com outras bandas emergentes do heavy metal inglês.
Foi nessa edição do Sounds que o jornalista responsável, Geoff Barton, cunhou a expressão “New Wave Of British Heavy Metal” (A Nova Onda do Heavy Metal Inglês), uma apologia à moda pop New Wave em voga na época.
O fato é que essa segunda fase do Heavy Metal revelou excelentes bandas, dentre as quais destaco: Saxon (A energia de The Bands Play On, Princess of the Night e Crusader continua viva); Venom; Def Leppard (somente em seus dois primeiros discos: On Trough the Night e High'N'Dry, já que depois se renderam a um estilo mais brando e comercial) e a líder desse movimento - que acabou de completar 25 anos de estrada - Iron Maiden, cujo nome fora inspirado num instrumento de tortura medieval. A "donzela de ferro" constituía-se de uma espécie de caixa metálica no formato do corpo de uma mulher que, quando fechada, perfurava o corpo da vítima com centenas de pregos.
É incrível como, após anos a fio de trabalho, uma banda ainda consegue arrebatar multidões de fãs de várias gerações. Quem gosta de heavy metal e compreende a importância da New Wave of Bristish Heavy Metal há de conferir benemerência ao Iron Maiden.
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